Acontece na vida de todos nós:
queremos o melhor para os nossos,
mas nem sempre podemos dar o nosso melhor;
amamos e, às vezes, precisamos que alguém demonstre esse amor por nós.
Neste espaço vamos trocar ideias sobre cuidados especiais - com idosos, enfermos, recém nascidos,
pacientes pós cirúrgicos, pessoas com deficiência, pacientes terminais, portadores de demência,
grávidas de alto risco...
Pois cuidar do outro é, antes de tudo,
a arte de exercer carinho e boa vontade.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Peptídeo negligenciado revela pistas para as causas da doença de Alzheimer

Pesquisadores do Riken Brain Science Institute (BSI), no Japão, e seus colaboradores, lançaram uma luz sobre a função de um peptídeo amilóide* pouco estudado na promoção da doença de Alzheimer. Os surpreendentes achados revelam que o peptídeo é mais abundante, mais neurotóxico, e exibe uma maior propensão agregante do que outros agentes amiloidegênicos antes estudados, sugerindo que podem desempenhar um papel potencial nas próximas tentativas para prevenir a amiloidose** que provoca a doença de Alzheimer.  

*Peptídeos são biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos através de ligações péptidicas, estabelecidas entre um grupo amina de um aminoácido, e um grupo carboxilo do outro aminoácido. Os peptídeos são resultantes do processamento de proteínas e podem possuir na sua constituição 2 ou mais aminoácidos.
** Amiloidose é uma patologia na qual ocorre acúmulo, em vários tecidos de amilóide, uma substância proteica rara (que normalmente não está presente no corpo). Há três tipos de amiloidose
Amiloidose Primária: causa desconhecida, sendo que a doença pode estar associada a alterações das células plasmáticas, como o mieloma múltiplo;
Amiloidose Secundária: resulta de outras doenças (pe: tuberculose, infecções dos ossos, artrite reumatóide, febre familiar do Mediterrâneo ou ileíte granulomatosa);
Amiloidose Hereditária: afeta os nervos e certos orgãos e foi detectada em indivíduos provenientes de Portugal, da Suécia, do Japão e de muitos outros países.
Uma quarta forma pode estar associada ao envelhecimento normal, afectando sobretudo o coração.

Uma doença cerebral irreversível, progressiva, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, a doença de Alzheimer é devastadora para as suas vítimas, roubando-lhes a memória, as habilidades cognitivas e, por último, suas vidas. Mesmo depois de décadas de pesquisas, as causas da DA permanecem esquivas. Dois aspectos no cérebro, tufos de tecidos anormais (placas senis) e feixes emaranhados de fibras são conhecidos como características da DA, mas existe um pequeno consenso sobre a ligação entre essas características e as raízes subjacentes da doença.
Uma hipótese que tem atraído apoios generalizados suporta a proposta de que a DA é causada pelo acúmulo de placas senis e em particular das suas principais constituintes os peptídeos amilóides. Duas principais formas desses peptídeos - Aβ, Aβ40 e Aβ42 –
tem sido associadas às mutações genéticas que causam os sintomas iniciais da DA, e portanto receberam atenção considerável das pesquisas. No entanto, o papel de outras espécies de peptídeos Aβ, que também existem no cérebro de pacientes de Alzheimer, ainda não foi suficientemente investigado.
Nesse atual trabalho, os pesquisadores focaram-se no Aβ43, um peptídeo amilóide encontrado frequentemente no cérebro de pacientes, assim como o Aβ42, mas que é relativamente pouco conhecido. Para estudar o papel desse peptídeo, eles geraram mutações genéticas em ratos que causaram uma super produção do peptídeo Aβ43, e utlizaram um sistema altamente sensível para distinguir as concentrações cerebrais dos diferentes peptídeos – 40, 42 e 43.

Os surpreendentes resultados revelaram que o peptídeo Aβ43 é muito mais abundante no cérebro de pacientes com DA do que o Aβ40, e muito mais neurotóxicos do que os Aβ42. O peptídeo Aβ43 também mostra a mais alta propensão de agregação e consideravelmente acelera a patologia amilóide. Mais do que isso, ao contrário das outras duas espécies, que existem nos cérebros humanos e de ratos desde o nascimento, os níveis do peptídeo Aβ43 parecem aumentar com a idade, coerentemente com o padrão de início da doença de Alzheimer.

Publicados na revista Nature Neuroscience, os achados revelam, portanto, a possível valia do peptídeo Aβ43 como biomarcador para o diagnóstico da doença de Alzheimer e sugere um papel potencial na abordagem para prevenção da amiloidose como causa da DA, prometendo esperança para os pacientes de Alzheimer em todo o mundo.


Provided by RIKEN - http://www.brain.riken.jp/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião sobre este assunto, ela é muito bem vinda.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...